22/02/2008

Sobre PAZ


Marte e Vénus, Alegoria da Paz
Louis Jean François Lagréen
Provérbios do Mundo

Contemplar a beleza é rezar.
Não podemos voar com asas alheias.
O ignorante é como um soldado sem asas.
O fardo suportado pelo grupo é uma pluma.
Se não podes ser obediente, não podes aprender nada. A obediência é uma parte da atenção.
Amor é um sonho que não se sonha.

21/02/2008

Direitos para crescer saudável



Todas as crianças com mais de cinco anos têm direitoa desabafar.

Todas as crianças até aos onze ou doze anos têm direito a andar grátis no Carrocel quando estão de férias.

Todas as crianças que andam na escola têm o direito a serem alegres, terem amigos e a brincarem com os outros. Têm o direito a ter uma Professora que não grite com elas.

Todas as crianças têm direito a ver o mar verdadeiro, especialmente em dia de maré vazia.

Todas as crianças têm direito a, pelo menos uma vez na vida, escolher o chocolate que lhes apeteça.

Todas as crianças têm direito a pensar e a sentir como lhes manda o coração, até serem velhas, aí com uns vinte anos.

Todas as crianças têm direito a terem em casa o Pai e a Mãe, os irmãos ( se houver ) e comida. Se o Pai e a Mãe não conseguirem viver juntos têm direito a que cada um deles respeite o outro.

Todas as crianças têm direito a deitarem-se no chão para ver as nuvens passar, imaginando formas de todos os bichos do Mundo combinadas com as coisas que quiserem ( por exemplo, um cão a andar de patins ou uma girafa de orelhas compridas ).

Todas as crianças têm direito a começarem uma colecção não interessa de quê.

Todas as crianças têm direito a chupar o dedo indicador que espetaram num bolo acabado de fazer ou então lamber a colher com que raparam a taça em que ele foi feito.

Todas as crianças têm direito a tentarem manter-se acordadas até tarde numa noite de Verão, na esperança de verem uma estrela cadente e pedirem três desejos ( a justiça devia fazer acontecer sempre pelo menos um ).

Todas as crianças têm direito a comer a fatia do meio das torradasde pão partidas em três.

Todas as crianças têm direito a escrever ou a falar em linguagens inventadas por elas ( ou que julgam inventadas por elas ), como por exemplo a «linguagem dos pês»: «apa linpingupuapagempem dopos pêpês».

Todas as crianças têm direito a imaginar o que vão querer fazer quando forem grandes ( habitualmente coisas extravagantes ) e a perguntarem aos adultos « o que queres ser quando fores pequenino?».

Todas as crianças têm direito a dormir numa cama só sua, sentindo o cheiro da roupa lavada, e a terem um espaço próprio na casa, pelo menos a partir do ano de idade.

Todas as crianças têm direito a passear na rua tentando pisar apenas o empedardo branco ( ou só o preto ); em opção, têm direito a fazer uma viagem contando apenas quantos carros vermelhos passam na faixa contrária.

Todas as crianças meninos têm direito a, pelo menos uma vez na vida, perguntar a uma menina « queres ser minha namorada?» e todas as crianças meninas têm direito a, pelo menos uma vez na vida, responder «sim, quero».

Todas as crianças têm direito a ouvir um adulto contar pelo menos uma destas histórias: Peter Pan, O Principezinho, O Princípe Feliz.

Todas as crianças têm direito a ter alegria suficiente para imaginar coisas boas antes de dormirem e depois, a sonharem com elas.

Todas as crianças têm direito a ter um boneco de peluche preferido, especialmente quando velho, já lavado e mesmo com um olho a menos.

Todas as crianças ( especialmente já adolescentes ) têm direito a usar os ténis preferidos, mesmo que rotos e com cheiro tóxico.

Todas as crianças têm direito a jogar aos polícias e aos ladrões, preferindo inevitavelmente serem ladrões.

Todas as crianças têm direito a ter um colo onde se possam sentar, enroscar como uma concha e receber mimos.

Todas as crianças têm direito a nascer iguais em direitos.

Todas as crianças têm direito a conhecer o sítio onde nasceram e a visitá-lo livremente.

Todas as crinaças têm direito a não ficar sozinhas a chorar.

Todas as crianças têm direito a viver num País que tenha um Ministério da Infância, que verdadeiramente pelo seu crescimento afectivo e bem-estar interior ( sem preconceitos adultocêntricos ou hipocrisias com ares de cromo abrilhantado ).

Todas as crianças têm direito a acreditar que têm direito um adulto que olha por elas e as ama sem condição prévia ( nem que seja Nosso Senhor ).

Todas as crianças têm direito a viver felizes e a ter paz nos seus pensamentos e sentimentos.



STRECHT, Pedro( 2002), Crescer Vazio, Lisboa: Assírio e Alvim.

Fotografia: VAlter Ribeiro.





20/02/2008

POder de ser:


THE KEY

Jackson Pollock
ULISSES

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de DEus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
DE nada, morre.


Mensagem, Fernando Pessoa.

06/02/2008

Seres Amantes Com Música

Magic Smoke
Bruno Santos

Prazer

E eu não sei que mais posso ser
Um dia Rei, outro dia sem comer.
Por vezes forte, coragem de Leão.
Às vezes fraco, assim é o coração.
E eu não sei. Que mais te posso te dar,
um dia jóias, outro dia o luar.
Gritos de dor, gritos de prazer.
que um homem também chora
quando assim tem de ser.
Foram tantas as noites sem dormir.
Tantos quartos de hotel, amar e partir.
Promessas perdidas escritas no ar,
e logo ali eu sei...
Que tudo o que eu te dou, tu me dás a mim.
e Tudo o que eu te dou.
Deitado na poltrona beijas-me a pele morena.
Fazes aqueles truques que aprendeste no cinema.
Mais peço eu. Já me sinto a viajar.
pára, recomeça e fazes-me acreditar.
Não! dizes tu. E o teu olhar mentiu.
Enrolados pelo chão, num abraço que se viu.
É madrugada, ou é alucinação:
estrelas de mil cores, exctasy ou paixão.
Esse odor traz tanta saudade.
Mata-me de amor, dá-me liberdade.
Deixa-me voar, cantar e adormecer...

Pedro Abrunhosa

05/02/2008

Viagens do Tempo

" e a vida não vai parar,
vai como o vento.
Tens tudo a dar,
não percas tempo...
Podes saber que vais chegar
onde DEus te levar!"

01/02/2008

Relembro.


" Dança em mim "
Entre muitas outras coisas sem sentido, com palvras concretas, extraidas rapidamente do meu pensamento como jactos fortes de tinta, espero pelo teu abraço. Quando fecho os olhos lembro-me do teu cheiro que levemente se encontra na memória. A alma assim como o desejo, prende-se por instantes, mas quando não são suficientemente fortes perdem-se. É assim que te sinto. Olhas para mim, mas não procuras o que queres encontrar.
Necessito de sinceridade. Quem não a tem mente. Não és capaz de o ser? Dizer apenas que é e foi um momento de loucura que se perdeu sem se possuir? Basta assumir um Basta. Dizer assim como pensar não custa.
Estou bem e sinto-me livre. Não devo nada a ninguém. Nem espero doçuras, nada existe, e em mim apenas o hoje existe. Porém, nada se faz sem consequências.
" um olhar que traz timidez"
Doce colo em que durmi. Doce recordação em mim.
Beijo

22/12/2007

um dia

desaparecer ... ? talvez um dia! Para onde...? não sei! fugir dos que são mais próximos, só pq são os que mais nos exigem não é uma hipocrisia a que me queira submeter... mas será esse o caminho para conehcer a verdade? talvez sim, talvez não. Gostava de entender se estou assim tão fora do padrão dos demais. Apesar de próximo, tudo por vezes me parece literalmente estranho. As expectativas perdem-se pelo caminho. Fica apenas a mágoa. Mas quem é o "bom" aqui? Quem não ousou e seguiu em frente sem culpas, ou aquele que ficou para trás à espera de mais?? aiai... tantas perguntas e nenhumas respostas. Não sei o que é a culpa, a cegueira nem muito menos a humildade. apenas sei que sigo o meu coração! Seja notada apenas por isso. Cínica não sou.

02/12/2007

!! Manifesto !!

E assim somos nós: fúteis, insensíveis e totalmente despreocupados. Não temos a mínima noção do que é amar e ser amado. Trocamos o carinho como quem muda de ideias entre refeições. Não estamos minimamente importados com o outro, isso é totalmente uma fachada, só o aceitamos na medida em que se torna útil e agradável ao nosso sentir.
Somos egocêntricos, frios e calculistas. Não estamos preocupados com o nosso próximo, estamos antes em cuidados com aquele que nos é totalmente distante, aquele com o nr 506 da rua X a quem será dado neste Natal uma boa dose de sopa ( não que isto não seja importante, mas é necessariamente um descargue de consciência para com o bem que devemos empreender para com os “pobres da sociedade”). Não nos importamos tanto, ou melhor, não nos pesa quando vamos dormir, aquando uma resposta torta ou uma atitude menos respeitosa para com um amigo; na verdade nem demos por isso. Achamos que os outros não ligam ao que por vezes dizemos, ou antes, tomamos isso como uma nossa verdade. É tão fácil não pensar!
Somos tendencialmente os primeiros, enquanto cristãos, a amar o próximo como a nós mesmos, mas só na medida que nos dá jeito, em que nos é suportável. Uma esmola tira-nos o peso da entrega no dia-a-dia. Pois na verdade é o que dói. Dói infinitamente na alma estender a mão e abrirmo-nos ao próximo, porque escutá-lo é torná-lo parte de nós, é torná-lo em Nós, é estar-se em comunhão; e hoje em dia isso é demasiado. Não há tempo a dar, não há tempo para ser. É preciso ter coragem para abraçar os outros sem que nos esqueçamos deles quando voltamos a casa, ou quando encontramos um outro pelo caminho. Nós egoistamente, deixamos os outros para trás, tornamo-los figuras vivas no nosso placard de fotografias das recordações. E dizemos: “Foi tão importante há dois anos, era sem dúvida o meu amigo!”. Bah! Isto é mentira, é parvoíce. Chamem-lhe o que quiserem: é cobardia! Quem é realmente importante num dia não deixa de o ser noutro, independentemente do que fez, faz, pensa, acredita, ou até que tenha encontrado alguém melhor. Um amigo não é um namorado, não se muda/troca, até se encontrar um perfeito. Também não se coleccionam, fazem simplesmente parte, como um puzzle onde constantemente são encontradas novas peças que se encaixam em nós no seu total. Ninguém se completa com duas peças, isso não é um puzzle... isso é a imagem da capa! Eu entendo que seja um ideal romântico, mas a meu ver, não se traduz na realidade.
Ser-se amigo é ( era ) a coisa mais maravilhosa do mundo. Era ser-se outro. Partilhar tudo e mais alguma coisa. Estar em comunhão com o outro. O problema é que a sociedade consumista e do fast-food em tudo se manifesta, e nas amizades também funciona, tristemente, um pouco assim. Ora hoje funcionamos bem, ora amanhã já aparece algo melhor. Então trocamos, mantendo uma fachada de que ainda nos importamos, mas só a 10% ( “ Pois então, os amigos nunca se esquecem.”). Claro que a teoria da entrega já se foi pelo cano a baixo. Agora trabalhasse a part-time esperasse que se ganhe o mesmo, o mesmo lucro! Patetice! Tudo o que se ama tem que se cuidar com esforço e dedicação senão morre. “Se queres um amigo cativa-o!” já se dizia no Principezinho. O problema, a questão, o cerne é que o mundo tanto não tem tempo, como não quer. Somos Fúteis, estúpidos e totalmente não cristãos. Não estendemos a mão, manda-mos esmola e esperamos o sorriso mais aberto do mundo. Esperamos que nos agradeçam o quê?? A moeda ou o pão?? A moeda e o pão são efémeros, passam, mas a fome continua. Se amassemos realmente não haveria fome nem solidão. ( isto não é uma proposta contra a fome no mundo, é apenas para matar o bicho que o corrói, as relações, as motivações e especialmente a coragem! )
Se quisermos ser alguém no mundo temos que lhe pertencer primeiro, amá-lo e cuidar dele. Fingir que não há problemas é a forma mais fácil de cometermos suicídio, a nossa anulação consentida. Não há desculpas para a incompetência, mas todos a possuímos.

by me: Num dia de Revolta