Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voila! Acaba como um orgasmo!
Woody Allen
14/11/2008
19/06/2008
Tela em branco:
" 17.
São horas talvez de eu fazer o único esforço de eu olhar para a minha vida. Vejo-me no meio de um deserto imenso. Digo do que ontem literalmente fui, procuro explicar a mim próprio como cheguei aqui. "
São horas talvez de eu fazer o único esforço de eu olhar para a minha vida. Vejo-me no meio de um deserto imenso. Digo do que ontem literalmente fui, procuro explicar a mim próprio como cheguei aqui. "
Fernando Pessoa
Livro do Desassossego
Tela em branco:
" COnquistei, palmo a pequeno palmo, o terreno interior que nascera meu. Reclamei, espaço a pequeno espaço, o pântano em que me quedara nulo. Pari meu ser infinito, mas tirei-me a ferros de mim mesmo "
Fernando Pessoa
Livro do Desassossego
31/05/2008
Finalmente aconteceu.
Vazio, espaços mortos, lágrimas por dias.
Mágoas passam e o sol vigia por entre a obscuridade,
Traz novas cores, calor para reconfortar
o corpo que mirrou no cinzento da manhã.
O ninho convida ao descanso
E as lembranças ao desespero. O telefone toca
E entendo que o Conviva de Pedra ainda
Não me que chamar. Ainda há um espaço para o encantamento.
Há luz nas ruas; Quando pesadamente o cortinado se afasta, fito.
(Processo continuado que perdura).
Não vejo, olho apenas. Ver não é um procedimento
Válido para quem se quer manter à margem.
No entanto, escuto sons. Vozes distorcidas que guincham
Alegremente em jeito de risos quentes. Sinto.
Um arrepio percorre os meus nervos e auguro
Que nada terminou, mas antes tudo recomeça.
Os lábios, os abraços... a felicidade ainda
Está à espera do seu momento. Prepara-se para o seu
Esplendor. Não se dará de mão beijada. Está a estudar-me.
Agradeço. Compreendo a caminhada.
Acredito agora alegremente.
Li
Vazio, espaços mortos, lágrimas por dias.
Mágoas passam e o sol vigia por entre a obscuridade,
Traz novas cores, calor para reconfortar
o corpo que mirrou no cinzento da manhã.
O ninho convida ao descanso
E as lembranças ao desespero. O telefone toca
E entendo que o Conviva de Pedra ainda
Não me que chamar. Ainda há um espaço para o encantamento.
Há luz nas ruas; Quando pesadamente o cortinado se afasta, fito.
(Processo continuado que perdura).
Não vejo, olho apenas. Ver não é um procedimento
Válido para quem se quer manter à margem.
No entanto, escuto sons. Vozes distorcidas que guincham
Alegremente em jeito de risos quentes. Sinto.
Um arrepio percorre os meus nervos e auguro
Que nada terminou, mas antes tudo recomeça.
Os lábios, os abraços... a felicidade ainda
Está à espera do seu momento. Prepara-se para o seu
Esplendor. Não se dará de mão beijada. Está a estudar-me.
Agradeço. Compreendo a caminhada.
Acredito agora alegremente.
Li
27/04/2008
Beijos/Sorrisos/e/afagos

O lenço que me ofertaste
Tinha um coração no meio
Quando ao nosso amor faltaste
Eu fui-me ao lenço e rasguei-o.
Ainda me lembro esse lenço
Vindo do teu seio túmido
Escondi-o ainda húmido
No peito com fogo intenso
Esse acaso, hoje penso
Qual infantil receio,
E orgulhoso gaurdei-o
Lamento a minha loucura.
Porque esse lenço o perjura
Tinha um coração no meio.
Esse coração bordado
Por triste sina era o meu
E por isso ele morreu
Quando o lenço foi rasgado
Foi-se a chama do passado
Pois em cinzas sepultaste
Este amor que atraiçoaste
O que serve a dor incalma
Vesti de luto a minh'alma
Quando ao nosso amor faltaste
Beijos, sorrisos e afagos
Me deste. Hei-de esquecê-los
Pois os teus doces desvelos
Com meus beijos foram pagos
Teus olhos eram dois lagos
Lascivio era o teu seio
Foi tudo efémero enleio
Breve e fugaz ilusão
Magoaste-me o coração
Eu fui-me ao lenço e rasguei-o
Henrique Rêgo
CHUVA - Mariza
As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na históriada
história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera
A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na históriada
história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera
A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade
10/04/2008
Ser, estar.
Real.
Ser e estar no real.
O amanhã assim como o ontem, esquecidos. Real é o aqui e não o depois. É o Estar. E o que é o estar mais do que isto agora?
Quero viver no real.
É isto??
Agora??
Estou preparada? É suposto?
Abandonar-me para o vazio adulto e escuro do Agora.
Mas se é isto... este vazio que partilha, não quero.
Arriscar cair.
Perco-me nos abraços frios que absorvem o que não pretendo dizer.
É simples assim. É suposto? Dizem que sim. Sinto que não/sim.
Sabe bem apenas.
É extasiante pertencer ao mundo sem lhe tocar.
É extasiante devorar um outro no agora e depois não sentir.
É extasiante pertencerte sem te conhecer.
É extasiante poder saborear a tua essencia e partir sem ela.
É extasiante a àgua que nos junta e se dissolve no calor do espaço desconhecido.
É extasiante trocar o beijo e guardar o teu. O meu gosto na tua boca.
É?
Se considerar apenas o agora, é brilhantemente aceitável. Mas a receita para fazer estagnar um momento qual é?
Suposto ter encontrado isso algures num livro velhinho?
Suposto reconhecer a mentira antes que ela me fale?
Sabedoria que não possuo.
Mudanças no que conheço de mim.
Flores que estão a nascer na minha mão e que não lhes conheço o tacto.
Medo de não a saber destinguir...
Real.
Ser e estar no real.
O amanhã assim como o ontem, esquecidos. Real é o aqui e não o depois. É o Estar. E o que é o estar mais do que isto agora?
Quero viver no real.
É isto??
Agora??
Estou preparada? É suposto?
Abandonar-me para o vazio adulto e escuro do Agora.
Mas se é isto... este vazio que partilha, não quero.
Arriscar cair.
Perco-me nos abraços frios que absorvem o que não pretendo dizer.
É simples assim. É suposto? Dizem que sim. Sinto que não/sim.
Sabe bem apenas.
É extasiante pertencer ao mundo sem lhe tocar.
É extasiante devorar um outro no agora e depois não sentir.
É extasiante pertencerte sem te conhecer.
É extasiante poder saborear a tua essencia e partir sem ela.
É extasiante a àgua que nos junta e se dissolve no calor do espaço desconhecido.
É extasiante trocar o beijo e guardar o teu. O meu gosto na tua boca.
É?
Se considerar apenas o agora, é brilhantemente aceitável. Mas a receita para fazer estagnar um momento qual é?
Suposto ter encontrado isso algures num livro velhinho?
Suposto reconhecer a mentira antes que ela me fale?
Sabedoria que não possuo.
Mudanças no que conheço de mim.
Flores que estão a nascer na minha mão e que não lhes conheço o tacto.
Medo de não a saber destinguir...
08/04/2008
"Beijo é mais"
Beijo
Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.
Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.
Jorge de Sena
04/04/2008
03/04/2008
Já é noite, e o frio está em tudo o que se vê
Lá fora ninguém sabe que por dentro há vazio.
porque em todos há um espaço que por medo não se deu
onde a ilusão se esquece do que o medo não previu.
Já é noite e o chão é mais terra para nascer.
A água vai escorrendo entre as mãos a percorrer.
Todo o espaço entre a sombra, entre o espaço que restou
para refazer a vida no que o medo não matou.
Mas onde tudo morre tudo pode renascer...
Em ti vejo o tempo que passou.
Vejo o sangue que correu,
Vejo a força que moveu
Quando tudo parou em ti.
A tempestade que não há em ti
Arrantando para o teu lugar
E é em ti que vou ficar.
Já é dia e a sombra está em tudo o que se vê.
Lá fora ninguem sabe o que a luz pode fazer
Porque a noite foi tão fria que não soube acordar.
A noite foi tão dura e difícil de sarar.
Refrão.
Mas eu descobri a casa onde posso adormecer.
Eu já desvendei o mundo e o tempo de perder
aqui tudo é mais forte e há mais cor no céu maior
em que tudo é tão novo do que pode ser o amor
Mas onde tudo morre tudo volta a nascer...
Refrão
Já é dia e a luz esta em tudo que se vê.
Cá dentro não se ouve o que lá fora faz chover.
A cidade que há em ti encontrei o meu lugar
e é em ti que vou ficar.
Lá fora ninguém sabe que por dentro há vazio.
porque em todos há um espaço que por medo não se deu
onde a ilusão se esquece do que o medo não previu.
Já é noite e o chão é mais terra para nascer.
A água vai escorrendo entre as mãos a percorrer.
Todo o espaço entre a sombra, entre o espaço que restou
para refazer a vida no que o medo não matou.
Mas onde tudo morre tudo pode renascer...
Em ti vejo o tempo que passou.
Vejo o sangue que correu,
Vejo a força que moveu
Quando tudo parou em ti.
A tempestade que não há em ti
Arrantando para o teu lugar
E é em ti que vou ficar.
Já é dia e a sombra está em tudo o que se vê.
Lá fora ninguem sabe o que a luz pode fazer
Porque a noite foi tão fria que não soube acordar.
A noite foi tão dura e difícil de sarar.
Refrão.
Mas eu descobri a casa onde posso adormecer.
Eu já desvendei o mundo e o tempo de perder
aqui tudo é mais forte e há mais cor no céu maior
em que tudo é tão novo do que pode ser o amor
Mas onde tudo morre tudo volta a nascer...
Refrão
Já é dia e a luz esta em tudo que se vê.
Cá dentro não se ouve o que lá fora faz chover.
A cidade que há em ti encontrei o meu lugar
e é em ti que vou ficar.
Tiago Bettencourt - O Lugar
22/02/2008
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